sábado, 27 de dezembro de 2008

E então....

Foi Natal. E será ano-novo. E cá estou eu, com outra crise de dor.

Quer se dopar? Descobri uma receitinha ótima. Misturei cetoprofeno 50mg que estou tomando de 8 em 8h porque não consegui passar no meu médico pra ele me receitar outro tarja-preta, com - tcharam! - o resto do tarja-preta que ele me receitou na primeira consulta. Haviam sobrado dois (dois! *chora*) comprimidos de codeína 30mg e eu, em uma hora de dor extrema, estendi minha mãozinha para minha irmã e tomei um comprimido.

O que dá misturar um antiinflamatório forte com um opiácio leve?

Quase cinco horas de um magnífico e delicioso barato. Meu corpo flutuava, quase livre da dor e sem nenhum desconforto. Minha mãe olhou pra mim com um ar grave e disse "Você podia ter misturado os dois?"

Eu respondi: "Estava doendo muito." Tradução: Não sei.

Mãe: "Você leu a bula dos remédios antes?"

Eu: "O cetoprofeno não diz nada sobre interação com opiácios, não tem problema." Tradução: A codeína não veio com bula, eu posso talvez ter feito uma cagada.

Mãe: "Se você sentir qualquer coisa estranha, avisa que a gente vai pro hospital."

Eu, sorrindo: "Ok, mãe, mas eu tô ótima, fica tranqüila." Tradução: Eu não consigo sentir os dedos dos pé direito, meu coração bate tão devagar que está quase parando e eu tenho a nítida sensação de estar quase saindo do meu corpo e nadando em algodão-doce. Estou ótima, obrigada.

Sério, foi uma delícia! Passei praticamente o dia chorando de dor e desespero antes de tomar meu pequeno coquetel. Pena que acabou. Acabou e a dor voltou. Estou titubeando para tomar a última codeína porque, bem, É A ÚLTIMA! *chora desesperadamente*

Bem. Está tudo bem. Estou bem melhor hoje.

Cara, dor crônica é uma merda, especialmente se você não sabe da onde ela vem. Vou fazer um teste de glicemia na segunda para ver se tenho diabetes (estou com uma forte suspeita). Além dos sintomas de diabetes, tenho todos os sintomas de uma complicação chamada neuropatia que fode os nervos do corpo, especialmente dos pés, pernas e mãos.

Se eu não tiver, vou ficar desesperada de novo. Tenho um pequeno plano para a próxima sexta, dependendo de como as coisas correrem - o resultado dos exames, a dor, a vida. Um plano básico. Eu me recuso a viver se for para viver com esta dor maldita, que me deixa incapacitada, entrevada na cama, com uma dor e queimação lancinante que não passam nunca, não importa em que posição eu esteja. Me recuso.

Bem. O reveillon vem aí. Vamos ver se eu vou passá-lo de pé.

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