Esse título é em homenagem a uma série de TV de comédia muito, muito antiga, sobre um(a) personagem chamado(a) Pat.
A série consistia basicamente no fato de que ninguém sabia se Pat era homem ou mulher. Ele(a) usava roupas unissex, tinha um corte de cabelo andrógino, um tamanho mediano, e ninguém, absolutamente ninguém, descobria se Pat era XX ou XY. A série era, de fato, muito engraçada, pois não era sobre homossexualidade ou gênero, era simplesmente sobre uma pessoa que ninguém entendia.
Eu estava pensando, outro dia, que talvez eu fosse mais feliz se tivesse nascido um homem. Meu pai sempre quis um menino. Ele nunca hesitou em me dizer que estava ansioso por um garoto, que ter uma filha foi meio decepcionante. Minha mãe queria mais que tudo uma menina, mas até o quarto mês de gestação, que foi quando ela descobriu meu sexo, podia jurar que estava grávida de um menino.
Ela acertou o sexo do bebê nas cinco vezes que ficou grávida (note-se: ela só teve três filhos, duas vezes perdeu os bebês). Agora, me diga, por que ela errou comigo?
Eu fui comprar pão numa padaria vizinha e coloquei uma blusa um pouco decotada (que eu odeio, aliás). No meio da rua, um bêbado gritou pra mim: "Olhá lá, isso sim que é uma princesa! Quer casar comigo, princesa?". Eu rolei os olhos e nem me dignei a olhá-lo. Nessas horas eu fico muito feliz de ser uma menina. Homens são escrotos.
Nunca vi uma mulher gritar pra um cara que ele parecia um príncipe - se bem que não podemos jamais subestimar mulheres bêbadas.
Bom, daqui a pouco eu continuo o assunto. Pausa para almoço.
[quatro horas depois] Pronto, voltei. Um almoço longo. Enfim, voltando ao assunto...
Se eu fosse dizer com qual sexo meu cérebro se parece mais, iria ficar bem na dúvida, mas ainda acho que seria o masculino. Converse muito tempo com um homem "machão" e você vai ver como homens podem ser idiotas. Mas converse muito tempo com uma mulher tipo "mulherzinha" e você vai ver como pessoas diferentes despertam desejos diferentes em nós. O machão te faz ter vontade de comprar um soco inglês e abrir quatro buracos na cara dele. A mulherzinha te faz ter vontade de prender o cabelo e vomitar tudo o que comeu no dia (em alguns casos, em cima dela).
Mas acho que é melhor ser uma mulher. Mulheres têm mais vantagens - claro, há as desvantagens, mas no fim saimos ganhando. E cá entre nós, eu dei sorte, porque sou uma mulher bonita. Não linda, ser linda deve ser um saco, e todas as pessoas lindas que conheço são terrivelmente narcisistas. Mas sou bonita, o que conta pontos, seja você azul ou rosa. A beleza tem, sempre teve e sempre terá sua utilidade.
No momento, ela está tendo uma certa utilidade para mim, mas estou notando que estou ficando mais bonita com o passar do tempo - perdendo a cara de garota de 12 anos de idade, magricela e desajeitada (a rainha dos tropeços e esbarrões). Estou pensando em uma forma de fazê-la mais útil. Sou uma pessoa prática, não gosto de firulas. Se uma coisa não tem utilidade pra mim, eu não a quero. E como eu não sou muito chegada em romance, namoro, ficadas - a bem da verdade, pessoas em geral - minha beleza não tem utilidade social.
Estou pensando em dar a ela uma utilidade empresarial. Quero dizer, já falei que não sou linda, mas (as sergipanas que me desculpem) se eu fosse tentar fazer uns bicos de modelo fotográfica, com certeza iria arrumar trabalho em Aracaju. Ê lugar pra ter mulher feia. Você vê nos outdoors, nos comerciais de TV, nas publicações, nos desfiles, mulheres feias, feias, feias.
Bem, eu preciso consertar meus dentes antes. Eles são o fator mais desarmonioso no meu corpo. Depois, então, eu vejo se posso fazer algum dinheiro. Nunca me importei com minha aparência porque ela nunca me trouxe nada que eu quisesse - nunca quis popularidade, amigos, sexo, elogios ou puxa-sacos. No momento, estou mais interessada em dinheiro.
Mudando de assunto, parei de escrever, estou só lendo - livros e fanfics. Não sei porque, minha musa sumiu. Deve ter ido tirar férias. Não posso realmente reclamar, pois ela não tinha férias desde 2004, mas é meio estranho não ter inspiração nenhuma pra escrever nada. Me sinto meio sozinha, meio vazia. Não há idéias, não há planos, não há parsonagens, não há diálogos. Só consigo pensar em coisas do mundo real - na maioria, pequenos problemas do mundo real. E dores, estou com tantas dores, passei o último mês a base de analgésicos a antiinflamatórios que funcionaram mal e porcamente.
Estou sob paracetamol, 750 mg, nesse mesmo instante. É um desvio na minha coluna, pressionando todas as terminações nervosas do meu corpo capazes de me matar. Acho que a dor espantou minha musa também, mas eu a queria tanto de volta. Tanto! Musa, volte! Alegre minha vida, tinja meus dias, me dê idéias! Escrever é a única coisa para a qual tenho talento, não tire isso de mim!
Bah, estou com saudade de sentar e digitar palavras infinitas, inúteis mas incrivelmente importantes para mim. Escrever me faz sentir completa.
Provavelmente é só por isso que estou escrevendo agora.
sábado, 4 de outubro de 2008
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